Tarifas dos EUA pressionam a Embraer, mas carteira recorde de pedidos sustenta perspectivas

Mesmo com impacto das tarifas dos EUA, a Embraer avança com carteira recorde, geração de caixa sólida e metas de produção mantidas para 2025.

11/4/20252 min read

Tarifas dos EUA apertam a Embraer, mas carteira de pedidos recorde mantém otimismo

A Embraer vive um momento de equilíbrio delicado. De um lado, a companhia sente os efeitos das tarifas de 10% impostas pelos Estados Unidos sobre aviões e peças brasileiras. De outro, opera com melhora operacional, geração de caixa mais forte e uma carteira de pedidos recorde, o que sustenta a confiança no médio prazo.

Impacto das tarifas no resultado

Em 2025, o custo adicional causado pelas tarifas já chega a US$ 27 milhões, sendo US$ 17 milhões só no terceiro trimestre.
O setor mais afetado é o da aviação executiva, onde peças produzidas no Brasil e enviadas para montagem nos EUA ficaram mais caras.

Uma parte menor do impacto aparece em Serviços & Suporte, devido a contratos ligados ao mercado americano.

A estimativa inicial era de que o impacto anual ficasse entre US$ 60 e US$ 65 milhões, mas a Embraer agora acredita que o número será menor, com ajustes em logística, estoques e renegociações com fornecedores.

“A tarifa aumenta custos e reduz competitividade”, afirmou o CEO, Francisco Gomes Neto.

Solução depende de acordo bilateral

A Embraer defende uma saída diplomática, semelhante aos acordos já firmados entre Brasil e países como Japão, Reino Unido e União Europeia, que eliminaram tarifas para o setor aeronáutico.

Resultados: Receita recorde e entregas em alta
  • Receita líquida do 3T25: R$ 10,9 bilhões (+15,8% vs 3T24)

  • Lucro operacional (EBIT ajustado): R$ 927,2 milhões (margem de 8,5%)

  • Lucro líquido ajustado: R$ 289,4 milhões (vs R$ 1,225 bilhão em 2024, ano favorecido por efeitos extraordinários)

Entregas no trimestre
  • 20 jatos comerciais

  • 41 jatos executivos

  • 1 KC-390

O volume representa crescimento de cerca de 5% sobre o mesmo período de 2024.

Carteira de pedidos atinge recorde histórico

A Embraer encerrou o trimestre com US$ 31,3 bilhões em pedidos firmes, alta de 40% em 12 meses.

Entre os destaques:

  • Pedido da Latam: 24 jatos E195-E2 + 50 opções

  • Entrada no mercado comercial dos E2 nos EUA, com a Avelo Airlines (50 pedidos firmes + 50 opções)

  • Acordo com a TrueNoord para até 50 aeronaves (US$ 1,8 bilhão)

Estrutura financeira e debate sobre dividendos

A relação dívida líquida/EBITDA está em 0,5x, um nível historicamente baixo.
A companhia emitiu US$ 1 bilhão em bonds com prazo mais longo e custo menor, alongando o perfil da dívida.

Sobre remuneração aos acionistas:

  • Foram pagos R$ 209,7 milhões em JCP (R$ 0,28 por ação)

  • Não há indicação de dividendos extraordinários no curto prazo

  • Programa de recompra está em avaliação, mas sem decisão

No pregão, a reação do mercado foi leve queda, mais relacionada à expectativa frustrada de dividendos adicionais do que aos fundamentos.

Estratégia futura: serviços, defesa e nova geração de aeronaves
  • Defesa: KC-390 disputa contrato relevante na Índia

  • Serviços: empresa mira margens entre 14% e 15% no longo prazo

  • Tecnologia: investimentos contínuos em propulsão híbrida

  • O projeto do novo turboélice foi cancelado — o próximo grande lançamento ainda está em avaliação.