Tarifas de Trump aumentam incertezas e mantêm bancos centrais em alerta
As tarifas impostas pelos EUA elevam o risco de inflação e deixam bancos centrais do mundo em pausa na redução de juros. Entenda os impactos no Brasil e nos mercados globais.
11/6/20252 min read


Tarifas de Trump mantêm tensão nos mercados globais
A política de tarifas comerciais dos Estados Unidos, sob o governo Donald Trump, continua gerando incertezas para bancos centrais ao redor do mundo. Mesmo com sinais de desaceleração econômica, muitas autoridades optaram por manter os juros parados, temendo novos efeitos inflacionários.
No Brasil, o Copom destacou em seu comunicado mais recente que o cenário externo segue incerto, especialmente por causa da política econômica e comercial dos EUA. Com as expectativas de inflação ainda elevadas, o Banco Central mantém uma postura cautelosa e a Selic permanece estável.
Como as tarifas afetam a inflação
Segundo o economista Hélcio Takeda (Pezco), as tarifas podem mexer tanto na inflação quanto na atividade econômica — e nem sempre na mesma direção.
Nos EUA, o aumento no custo de importação tende a pressionar preços para cima.
Porém, a menor oferta de insumos pode reduzir a atividade, o que limita a alta de preços no curto prazo.
Nos países afetados, como o Brasil, pode haver alívio temporário caso as exportações sejam redirecionadas para outros mercados — algo que depende da capacidade de negociação comercial.
Inflação alta mantém juros elevados
Muitos bancos centrais estão em pausa nos cortes de juros porque a inflação ainda está acima da meta:
PaísInflação AtualMetaSituação dos JurosEUA3%2%Corte de juros em andamentoReino Unido3,8%2%Pausa nos cortesChile4,40%3%Cortes já iniciadosMéxico3,76%3%Cortes moderadosBrasil5,17%3%Selic mantida em 15%
No caso brasileiro, o desvio da inflação em relação à meta é significativo, o que justifica a pausa nas reduções da Selic.
E o dólar?
Para Sergio Goldenstein (Eytse Estratégia), o impacto direto do tarifaço na inflação brasileira é limitado.
O ponto-chave é o dólar:
Se o dólar permanece fraco, o real tende a se valorizar, o que ajuda a segurar preços internos.
Porém, a instabilidade política e fiscal global pode inverter esse movimento.
Situação nos Brics e outras economias
Entre os países do Brics ampliado, a maior parte também mantém juros estáveis devido ao cenário externo incerto:
Índia: juros mantidos em 5,5% ao ano
China: taxas estáveis, economia em desaceleração
África do Sul: juros mantidos, inflação em queda gradual
Rússia: única que reduziu juros recentemente, após ajuste econômico interno
Na Europa, o BCE manteve juros por três reuniões seguidas, enquanto o Banco da Inglaterra segura cortes até ter mais clareza sobre a inflação.
Na Ásia e Oceania, Japão e Austrália também mantêm postura prudente, aguardando sinais mais claros da economia global antes de mexer nos juros.
Conclusão
A política tarifária dos EUA acrescenta incerteza a um ambiente global já pressionado por inflação e desaceleração econômica.
Com isso, muitos bancos centrais — incluindo o Brasil — preferem esperar antes de cortar juros, para evitar riscos de novas pressões inflacionárias.
Enquanto não houver clareza sobre o rumo da economia americana, o mercado global deve seguir em modo cautela.