Assaí (ASAI3) em queda: JPMorgan prevê cenário mais difícil para 2026 e recomenda venda

JPMorgan rebaixa Assaí (ASAI3) para venda e reduz projeções para 2026, apontando desafios no varejo alimentar e desaceleração da inflação.

10/22/20253 min read

low angle photo of curtain wall building
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JPMorgan rebaixa Assaí (ASAI3) e alerta para 2026 mais desafiador

O JPMorgan reduziu sua recomendação para as ações da Assaí (ASAI3), passando de neutro para venda, após revisar para baixo suas projeções de crescimento e lucros para 2026.

Segundo o banco, o cenário para o varejo alimentar deve se tornar mais desafiador nos próximos meses, com a inflação desacelerando e o consumo enfraquecendo.

Na manhã desta terça-feira (21), as ações da varejista caíam 4,25%, cotadas a R$ 8,11, acumulando queda de mais de 10% em outubro, mesmo após forte valorização de 57% no ano.

Cortes nas projeções e redução do preço-alvo

O JPMorgan reduziu o preço-alvo das ações do Assaí de R$ 11,50 para R$ 8,50, refletindo a expectativa de lucro por ação (EPS) de R$ 0,68 para o próximo ano.

O banco também revisou suas projeções para 2026, cortando estimativas de:

  • Vendas em 7%;

  • Ebitda (lucro antes de juros, impostos e depreciação) em 9%;

  • Lucro por ação (EPS) em 34%.

Esses ajustes reforçam a visão de que o crescimento da receita da varejista será mais lento e limitado do que o previsto anteriormente.

Desaceleração da inflação pressiona o varejo alimentar

O estudo do JPMorgan destaca que a inflação de alimentos deve continuar em queda, atingindo níveis de um dígito baixo até meados de 2026.
Essa desaceleração pode reduzir a margem de lucro das empresas do setor e dificultar a recuperação de volumes de vendas.

O banco estima que a inflação de alimentos caia de 7% em agosto para 5% entre outubro e novembro de 2025, ficando cerca de 1 ponto percentual abaixo da inflação geral no ano seguinte.

Com isso, o consumidor tende a buscar produtos mais baratos (trade-down), reduzindo o ticket médio das compras e pressionando as receitas das redes atacadistas.

Dificuldades para crescer volumes e manter margens

Segundo o relatório, o setor de varejo alimentar enfrenta desafios estruturais:

  • Trade-down crescente, com consumidores migrando para marcas mais baratas;

  • Promoções com retorno limitado, sem impacto relevante nas vendas;

  • Dificuldade para aumentar volumes, mesmo com inflação mais controlada.

Diante desse cenário, o JPMorgan prevê que o Assaí registre vendas mesmas lojas (SSS) negativas no primeiro semestre de 2026, o que deve limitar ganhos de margem e reduzir o ritmo de crescimento.

Alavancagem e limitações financeiras

Apesar da perspectiva negativa, o relatório reconhece que o Assaí deve reduzir o endividamento gradualmente nos próximos trimestres.
No entanto, o ritmo deve ser mais lento que o esperado, o que pode restringir investimentos e diminuir a capacidade de expansão em um mercado cada vez mais competitivo.

De acordo com o banco, o guidance de alavancagem para 2025 está em risco, e as melhorias previstas para 2026 são limitadas, mesmo com menor capex (investimentos em capital).

O que isso significa para o investidor

Para o investidor, a análise do JPMorgan acende um sinal de alerta.
O setor de varejo alimentar pode atravessar um período de ajustes e menor rentabilidade, especialmente diante de um cenário de inflação baixa e consumo mais contido.

Ainda assim, o Assaí continua sendo uma empresa sólida, com potencial de recuperação no longo prazo, especialmente se conseguir equilibrar custos e aumentar eficiência operacional.

Conclusão: cautela com o varejo alimentar em 2026

O rebaixamento do Assaí (ASAI3) pelo JPMorgan reforça a importância de o investidor analisar fundamentos e projeções de mercado antes de tomar decisões.
Com a inflação em queda e o consumo mais moderado, o crescimento das varejistas pode perder fôlego, exigindo estratégias mais conservadoras.

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